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Naquela terça-feira, ele tinha um encontro marcado com Dona Aurora, uma senhora de 82 anos que passava as tardes conversando com suas samambaias. Quando Samuel atravessou a parede da sala, ela não gritou. Apenas ajeitou os óculos e disse:— Você demorou. O café já está quase frio.

Eles passaram as horas seguintes não falando do fim, mas do "durante". Samuel contou que o seu trabalho não era apagar luzes, mas sim fechar livros que já tinham contado histórias maravilhosas. Ele explicou que a morte não é o oposto da vida, mas o limite que dá a ela um valor infinito.

O que você achou dessa perspectiva sobre o ? Se quiser, podemos explorar como seria o encontro de Samuel com alguém que ainda não está pronto para partir.

Samuel sorriu, sentou-se à mesa e aceitou uma xícara. O título do livro favorito dela, A morte é um dia que vale a pena viver , estava sobre a mesa.— É um belo conceito, não acha? — perguntou Samuel, apontando para a capa.

Samuel levantou-se e estendeu a mão.— Digamos que a próxima história é escrita em um papel que nunca acaba. Mas o brilho dela depende de quão bem você leu esta primeira.

A morte não era uma figura encapuzada com uma foice, mas sim um homem de meia-idade chamado Samuel, que usava sapatos confortáveis e carregava um caderno de couro desgastado.